UMA GOSTA A MAIS
Eu que gostava tanto
Duma cerveja fresquinha
Prá gota é um encanto
Que pouca sorte a minha
Ela não escolhe idade
Sejas velho ou novo
Sua força de vontade
Destruir todo um Povo
Começa na articulação
Com comichões insuportáveis
Gasta-se as unhas da mão
Com arranhões incuráveis
Jovem dou-te concelho
Evita todo acidez
Quando chegares a velho
Depois é a tua vez
Gota a gota sem saúde
O corpo fica inchado
Fazer pra que a coisa mude
Deixa o acidez e salgado
Se for uma gota dágua
Essa sim é bem vinda
Quando chove acaba a mágoa
Mas pouco choveu ainda
Vou dar por terminado
Esta verdade versada
Com dedo da mão inchado
Tremo , não se percebe nada
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Perguntei ao deus da água
Perguntei ao deus da água
Porque no Algarve não chovia
Dá-me pena tua mágoa
São castigos da divindade
Que atinge certas regiões
Que perderam a humildade
Rebeldes sem religiões
É apenas um aviso
Pode vir a piorar
Esse Algarve paraíso
Rebelde pode secar
Porque a natureza divina
De repente se revoltou
Pouco a pouco nos ensina
O que ninguém ensinou
Já não rego tua terra
Estás rico não semeias
Da beira mar á serra
Só vejo aranhas e teias
Não respeitas a fartura
Talvez te venha a faltar
Na tua vida futura
Se a fome se instalar
O pobre come á rica
Os filhos não gostam de nada
O que isso significa?
Tiveram educação errada
Bebem logo ao nascer
Cocas colas adocicadas
Com barrigas a crescer
Alimentações erradas
Vivemos todos errados
Cada um no seu cantinho
Com sangues contaminados
Seguimos um mau caminho
O Algarve está poluído
O que chove são turistas
Pouco a pouco destruído
Do lixo desses artistas
O golfo gasta milhões
De litros d água por dia
Á noite as multidões
Deitam-se ao romper do dia
Talvez tenha um lado bom
Esse castigo divino
Pró homem mudar de tom
E por mão no seu destino
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s carros enchem a estrada
Com filas , cedo a começar
Todos tem em seu lugar
Somos todos acolhedores
Quem o diz são os forasteiros
Esta terra meus senhores
Foi escolhida por estrangeiros
Era a Festa de S Luis
Agora mudou de nome
A das chouriças é que se diz
Eu diria festa sem fome
Para que toda gente veja
Chouriça assada no pão
As brasas são de carvão
Dão o gosto que se deseja
O chouriço tem segredos
O nosso é do caldeirão
Ao comer lambe-se os dedos
Quando se acaba o pão

Por um dia se esquece
O malvado colesterol
Com um copinho se aquece
Com pão do dia , bem mole
No fim um cafezinho
E um copo de medronho
Volto no meu carrinho
Vir a querença foi um sonho
Para quem gosta de dançar
E não lhe resta mais nada
O Acordionista vai actuar
Pra desfazer a barrigada
Obrigado por terem vindo
Pró ano vai haver mais
Saião de querença sorrindo
Esta festa fás rivais
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