segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Feliz ano novo


O Ano 2011 está mesmo a acabar
Vamos à procura de novas realizações
Desejo que o Ano novo que vai entrar
Traga esperança aos nossos corações

Ouça as palavras que sempre desejou ouvir
Pronuncie as frases que um dia desejou repetir
Sinta a emoção que sempre esperou sentir
Caminha pelos trilhos que sempre desejou seguir
Divida o caminho com quem sempre desejou repartir
Abraçe todos os amigos que sempre desejou reunir
Desejo-vos tudo isto do fundo do meu coração
Embarquem todos na viagem da boa disposição!




E em 2012 seja persistente nos seus sonhos, tenha a alegria de buscá-los e a felicidade de achá-los.


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Comprei um burro

Estou farto de aumentos da gasolina. Vendi o carro e deixei de andar de transportes públicos, que também se aproveitam para aumentar os seus preços.
Coloquei uma manjedoura na garagem e comprei um BURRO. Em segunda mão, com a pelagem já um pouco ruça, mas que anda muito bem. Mesmo na sua mais louca velocidade não corro o risco de ficar sem a
carta. Aliás nem é preciso carta de condução, inspeção seguro ou selo das finanças. Arranjo sempre lugar para estacionar e nunca nenhum polícia da EMEL me incomodou por não lhe ter colocado na testa o bilhete do parquímetro. Anda sempre, mesmo quando já não tem fava na barriga. Nunca me deixou parado no meio de uma subida, obrigando-me a andar quilómetros para lhe ir buscar favas. Passei a chegar a horas ao emprego.
Não anda tão depressa como um carro, mas chega mais depressa. Rio-me dos engarrafamentos. O BURRO esgueira-se lindamente por entre os carros parados e por cima dos passeios, até sobe e desce escada, e é completamente ecológico,  não consome gasolina nem óleo, mas produtos inteiramente biológicos e degradáveis, como favas cenouras e cevada.
Quando o estaciono em jardims ou relvados, auto-abastece-se automaticamente, e o que sai pelo seu tubo de escape não polui o ar nem faz buracos no ozono, as suas bostas são do melhor fertilizante que há para a agricultura. O meu quintal tem produzido muito bem com este estrume, até os tomates deixaram de ser empedernidos, e tem outro sabor. Este inverno vou poupar na luz, pois o meu burrico é uma fonte de energia renovável.

Para combater a crise, façam como eu, comprem um burro!


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Chegou o Outono

Quando chega o Outono
Após as primeiras chuvadas!
Também nascem os tartulhos
Para fazer umas patuscadas!

Durante esta estação
É um prato muito apreciado!
Mas tem que se ter atenção
A apanhá-los, cuidado!

Encontram-se em bosques de pinheiros
Sejam tartulhos ou cogumelos!
Para serem verdadeiros
São quase todos amarelos

Tem muitas vitaminas
E poder medicinal!
Se forem bem cozinhados
Tem um Sabor divinal

Eles largam bastante água
Porque são criados na orvalhada
Podem comer-se com presunto
Ou mesmo carne Grelhada

Estes versos dos tartulhos
Deixam-me muita saudade
Lembram-me quando ia a eles
No Tempo da Mocidade!

Há uns que fazem doer
Falo deles que sou poeta
Uns dão-se ca mão fechada
E outros ca mão aberta!




Dia Mundial da Massa


Dia Mundial das massa
Também se vai celebrar
Esparguete, cuscus, pevides
Um nunca mais acabar

Estrelinhas, lasanhas, meadas
Todas são boas à mesa
Com refeiçoes equilibradas
Aconselha a “MILANEZA”

Produzidas a partir do trigo duro
As massa são um alimento natural
Ricas em hidratos de carbono
Comem-se e não fazem mal

Dá pra comer com legumes
Até com nabos ou grelos
cá em casa é costume
As massas com cotovelos

São fontes de vitaminas
acessiveis a qualquer carteira
Pra meninos e meninas
Comem-se de qualquer maneira!

É um óptimo ingrediente
E não engorda, atenção!
Seja fria ou seja quente
Sabe bem um Macarrão

Esparguete á bolonhesa
É o meu prato preferido
Uma fonte de riqueza
Pra amiga e pró amigo

Com esta vou terminar
Com uma certa graçinha
Se faltar massa nos bolsos
Que não falte na cozinha!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

São Martinho

Desde criança me lembro que o dia de S.Martinho era associado às castanhas e ao vinho.

Naquele tempo a vida era muito dura, os meus pais não tinham castanheiros, então eu e os meus irmãos íamos á serra ao rebusco das castanhas, que eram muito escassas, visto que havia muita procura, com muitas crianças na nossa situação sem dinheiro para as comprar, por esse motivo íamos roubá-las para não passarmos o S.Martinho sem o sabor duma castanhita. Com respeito ao vinho tínhamos da nossa colheita, muito embora em pequena quantidade, e para aumentar o depósito, lembro-me muito bem que o meu pai acrescentava com água, ficava cheio mas com pouca qualidade, chamava-se a tal famosa ”Água pé”... À noite depois de 1 pratinho de sopa comia-mos então umas castanhitas e um copito de água-pé, e assim comemorávamos o dia de S.Martinho... apesar de muitas privações posso dizer que éramos uma família feliz e muito unidos!

Não é à toa que diz o ditado, "No dia de S.Martinho vai à adega e prova o vinho."

terça-feira, 14 de junho de 2011

Encontro de poetas

No dia 10 de junho em Aigra Velha
Realizou-se um grande acontecimento
Muitos poetas a declamar
Mostrando um grande talento!

Eu pessoalmente fui convidada
O que muito me honrou
Apesar de um pouco baralhada
A minha participação brilhou!

O publico por mim a puxar
Pedindo para eu repetir
Eu começei-me a inspirar
E eles não paravam de aplaudir

Fiz uns versos sobre a Serra
E muitos outros que improvisei
Outros sobre a nossa terra
Foi assim que me safei

Um dia para recordar
Que me fica na memória!
Porque esta aldeia serrana
Já está na nossa história

As casas são feitas em xisto
Aquela beleza ali escondida
Uma paisagem de encantar
No meio da Serra perdida

Quero deixar uma saudação
Ao autor deste evento
Sem ele não seria possível
Este tão brilhante acontecimento!


quinta-feira, 19 de maio de 2011

O verão na Castanheira

Está a chegar o Verão
A abrir a Praia das rocas
Vale a pena a confusão
Com tantas caras larocas

Então a Castanheira
esboça um largo sorriso
Esta terra hospitaleira
Passa a ser um Paraíso

E também o poço Corga
É um sítio a visitar
Tem um parque de campismo
E paisagem de encantar

Temos uma linda ribeira
Que passa cá felizmente
Quer ela queira ou não queira
É riqueza desta gente

Farnel não precisam trazer
Façam férias à maneira
Não se podem esquecer
É de trazer a carteira!

Então venham apreciar
Boa comida à maneira
No Gil, até no Lagar
No forum ou na Churrasqueira

Bifes, peixe ou feijoada
Com todos os condimentos
Até uma boa dobrada
Dou-vos os meus cumprimentos

terça-feira, 10 de maio de 2011

Que afronta!

Quarenta e sete euros por dia
Custa um homem na prisão
Mais do que tem a maioria
A exercer uma profissão
E é esta contradição
Que aumenta a confusão

Se dois membros de um casal
Com filhos p'ra sustentar
Têm menor rendimento
Do que um preso a descansar
Não dá para ter orgulho
Ter nascido em Portugal

Há criminosos inatos
Que o são com naturalidade
Outros acabam por ser
Por grande necessidade
A trabalhar são roubados
E acabam também a roubar

Isto é uma espiral
Que só terá fim no dia
Em que o nosso patronato
Começar também a pagar
Quarenta e sete euros por dia
Ou quanto um preso custar

É uma triste realidade!


domingo, 8 de maio de 2011

Poeta

Os poetas tem várias facetas
Com o pensamento chegam a voar
Sem hora, sem rumo, sem rota
Em qualquer parte conseguem aterrar!

O poeta é normalmente
Uma pessoa muito instável
Pode ser burro, ou inteligente
Por vezes admirável

Fazem da vida 1 eterno poema
Ora de tristeza, ora de alegria
É o nascimento de um tema
Desfolhado em poesia

Faz os versos docemente
Até mesmo distraído
Age voluntariamente
Sem ir retribuído

Por norma não é arrogante
Sempre versos de humildade
Protege o seu semelhante
Com amor e simplicidade!

Mesmo alegre ou contente
Chega a encenar um bailado
Diz a verdade e não mente
Mostra sempre bom agrado!

Sou suspeita para falar
Mas assim me vou despedir
Bem hajam todos que já partiram
E os que ainda estão para vir

sábado, 23 de abril de 2011

A pérola do oceano

Onde vais ó Carmicita
Onde vais tu a passear?
Ai, ai, estou numa terra bonita
Ai, ai, que fica á beira do mar!

Que fica á beira do mar
bem longe do continente
Ai, ai agora fui visitar
Ai, ai,as grutas de S.Vicente!

Gostei muito da viagem
Espero voltar para o Ano
Se tiver saúde e coragem
Ver a Pérola do Oceano

Recados da crise

Aprendi que ninguém é perfeito
Diverge deste ou daquele jeito
Mas é sempre um cidadão
E se a política o apaixona
Nesta época pouco abona
Tudo ralha e ninguém tem razão

Então se ela é dura
E sem querer fazer censura
Vou deixar aqui um aviso
Pra ser político prestável
E também ser aceitável
Tem de estar onde é preciso.

Também aprendi a respeitar
Que para bem governar
Existe um bom mandamento
Porque estando a Pátria a sofrer
Não se pode deixar morrer
Mas salvar enquanto há tempo.

São as tais oportunidades
Onde se exigem responsabilidades
De quem pela política vai ganhando
E não desperdiçar a convergência
Ainda que se faça exigência
Porque o País está precisando.

Assim faço um apelo
Aos tidos com mais zelo
Que representam Portugal
Não o deixem na miséria
Porque em toda esta matéria
Toda a gente fica mal.

Sabemos das dificuldades
Mas usando boas vontades
Com os impostos a crescer
Agora sem entendimento
Neste próximo orçamento
O pobre Povo irá sofrer

domingo, 17 de abril de 2011

Dia Mundial do Beijo

Se os beijos dão saúde
É um negócio a pensar
Devia haver na farmácia
Beijinhos para comprar

É claro que comprados
não tem o mesmo sabor
é o mesmo que serem dados
através do computador

Com os olhos eu te beijo
E com a boca te chamo
Com os lábios eu te beijo
Com o coração eu te amo

O beijo dado na boca
É dado com emoção
Não fica a marca na boca
Mas fica no coração

Lábios sábios são fadados
para incendiar desejos
e deixam nos beijos dados
Vontade de novos beijos

Beijo na testa é respeito
Beijo no rosto é carinho
Beijo no queixo é vontade
De subir mais um pouquinho

Estudos indicam que o beijo
Quando dado de coração
Além de matar o desejo
Ajuda a combater a depressão

Beijo é algo que faz parte
Da história da humanidade
Há vário relatos sobre ele
Seja de amor ou amizade

Se há gestos de louvar
Digo com toda a franqueza
Não devemos duvidar
É o beijo de certeza

Dá-se beijos na esposa
E a esposa no marido
Apostar a dar mais beijos
Evita o antidepressivo

Há o beijo da doçura
Há o beijo da amizade
também há o da ternura
E o da fraternidade

Termino com um beijinho
E não me julguem snob
Que envio com carinho
para os leitores deste blog

segunda-feira, 28 de março de 2011

A procissão

Ai que vou tão carregada
Com o peso do leitão
Com esta fogaça recheada
A rodar na procissão

As frutas dão cá um cheiro
Que a gula faz aguçar
Frango e chouriço caseiro
E bom vinho a acompanhar

Também leva um pão de ló
Feito pela minha mão
Receita da minha avó
Para manter a tradição!

Recordação da festa de Nossa Senhora dos Bons Caminhos em Regadas


sexta-feira, 25 de março de 2011

Dia do desabafo

Sempre fui impedida de extravasar meus sentimentos, sem expressão sem poder falar, mas um dia dei comigo a pensar, doa a quem doer mas eu tenho o direito de me expressar como desejar. Agora falo o que sinto o que me vai na alma, não me importa se é poesia, verso ou trova.

Somente falo ou escrevo o que sinto
O que me vem do peito e da alma
Podem ter a certeza que não minto
A poesia me deixa mais calma

Não poder extravasar é pior
Do que rachar o coração
Desabafo e fico bem melhor
A puxar pela imaginação!

Transmitir nos meus poemas amor
Não ter que engolir a alegria
Não me fechar na angústia e na dor
Escrever, cantar, ou fazer poesia!

E se o que escrevo não agrada
Então não me leiam por favor
O que publico, pode nem valer nada
Mas não posso interromper meu clamor

Finalmente posso-me orgulhar
A expressar o que me vai no peito
Nem que seja ao menos, sussurrar
Decerto que a isso tenho direito

Já senti muita falta de alguém
E calei quando devia falar
Já pensei que não era ninguém
Por não me poder identificar

Muitos sapos tenho engolido
Sem coragem para reclamar
Já vivi sem ter vivido
Isso eu posso afirmar

Tristezas não pagam dívidas
Diz o povo e tem razão
Por isso cantem comigo
para combater a solidão

Por agora vou terminar
Com esta demonstração
Para os idosos estou a cantar
para os ajudar a combater a solidão

domingo, 13 de março de 2011

Hallowen

Como a minha veia poética anda um pouco em baixo de forma, deixo-vos um poema que fiz pela altura do dia das bruxas.

Apresento-me como uma bruxa
Mas uma bruxa do bem
Quero amar e ser amada
Do jeito que me convém!

Quero muito neste dia
Ao meu Deus agradecer
Por me dar esta magia
Para este verso fazer!

Com a minha varinha de condão
Dou 1 toque de amor, e zás trás
Entro no vosso coração
Sou uma bruxinha de paz!

Voa a minha vassoura de capim
Voa e traz a minha ilusão
Vem pousar em meu jardim
Alegra o meu coração!

Venho dum sítio poderoso
Para encantar vosso dia
Com o meu anel precioso
Cantar-vos uma melodia!

Seja lá do jeito que for
Fada ou bruxa encantada
No meu coração só cabe amor
Sou uma bruxa muito amada!

E com estes poemas de simpatia
Do halloween encantado!
A todos desejo um bom dia
Diversão em todo o lado!

Como feiticeira que sou
Gostava de o mundo melhorar!
Com a minha varinha mágica
Poder a guerra acabar!


sexta-feira, 4 de março de 2011

Os meus antepassados!

Antigamente não havia a fartura de roupas e fatos que há hoje, as pessoas usavam as roupas mais velhas para o trabalho. Só se vestiam de lavado ao domingo ou em dias de festa. As roupas que tinham eram de flanela, chita, ou riscado, saragouça ou outros tecidos assim.
As mulheres usavam saias até aos pés, blusa de chita, aventais e lenços na cabeça, andavam descalças ou usavam tamancas, os homens vestiam calças de cotim ou saragoça e chapéu de aba larga. Nos pés usavam tamancos, botas ou andavam descalços, eram temos muito pobres, as crianças usavam as roupas dos irmãos mais velhos que normalmente eram feitos com restos de roupa dos pais.
Tenho orgulho de mostrar aqui a foto dos meus avós paternos e maternos vestidos com os respectivos trajes da época. Que bonito e ternurenta a história da sua caminhada .Apesar dos tempos rígidos e duros conseguiram dar luz à vida e criar os filhos com educação.
Souberam amar.. apesar desse sentimento ser muito subjectivo, ama-se de muitas maneiras.
Guardo-os com muito amor numa moldura muito especial, além de permanecerem sempre vivos no meu coração, pois graças a eles devo a minha existência, bem hajam queridos avós.





Consegui também arranjar uma foto do casamento dos meus pais que se realizou no dia 13 de Setembro de 1956, naquele tempo poucos eram os noivos que tinham posses para contratar um fotógrafo, mas segundo consegui apurar, o fotógrafo do casamento dos meus pais era o meu tio Albino, irmão gémeo da minha mãe que infelizmente já faleceu à 15 anos, graças a ele tenho em minha posse esta fotografia que para aquele tempo já era considerado um luxo, bem haja o meu tio Albino que também recordo com muita saudade.




terça-feira, 1 de março de 2011

Burro chico

Quando eu era criança
Ainda tenho na lembrança
O meu pai tinha um burrico
Ele era o nosso brinquedo
O nome dele era chico
Montávamos nele sem medo!

E quando chegava o domingo
Pra cachopada era uma alegria
Eu e o meu chico burrico
Toda a gente divertia
Vejam como ele era castiço
Aqui na fotografia!

Na altura do Carnaval
Coitado do pobre burro
Fosse por bem ou por mal
Corria com ele o Entrudo
Lá na terra não havia igual
O Chico valia tudo!

Mais tarde quando cresci
O burro passou a ser para mim
Um transporte de valor!
Passeava nele vaidosa
Como fosse num andor
Da Castanheira à Gestosa!



domingo, 20 de fevereiro de 2011

Primeira comunhão

Quando estava preparada para fazer a primeira comunhão, a situação financeira da minha família estava em crise, visto que o meu pai tinha tido um grave acidente de mota e encontrava-se internado em Coimbra. Mas a minha vida religiosa tinha que percorrer o seu percurso, por esta razão tudo se realizou com a maior simplicidade, a cerimónia realizou-se na igreja paroquial de Castanheira de Pera. Vesti para a ocasião um lindo vestido que me foi emprestado por uma prima que vivia em Lisboa, coisa de luxo para aqueles tempos, sentia-me feliz com todo aquele encanto e magia, os cânticos na igreja, e o clima como tudo decorreu deu-me uma sensação de paz e amor que não se esfumou pelo facto de em casa não ter havido iguarias ou prendas. Agradeço à Maria da luz neta do "Senhor Cepas" ter esta foto, pois deu-ma com muito carinho, a qual guardo no meu álbum com muito amor.

E foi com o Padre Aurélio
Que fiz a primeira comunhão
Foi um dia inesquecível
Com uma linda procissão!

Para recordar com alegria
40 anos já lá vão
Estou aqui na fotografia
Com a bolsinha na mão


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Quem nasceu para a poesia

Este foi o meu primeiro texto publicado num jornal.


Desde criança senti,
em tudo que escrevi,
e no que também aprendi,
que o mundo me
chamava para poesia,

mas nenhuma porta para mim se abria,
para que eu realizasse a minha fantasia,
o que muito me entristecia
e ao mesmo tempo me deprimia.

Naquela altura a vida era tão dura
víviamos em plena ditadura
a poesia era a minha maior felicidade
isto não é mentira, mas a pura realidade

fui arrancada da escola, que crueldade
logo eu que tanto gostava de estudar
Sonhava em puder as pessoas ajudar
e quem sabe numa “deusa” me tornar
visto que na barriga da minha mae andei a chorar
mas o destino me veio atraiçoar,
e para uma fábrica fui trabalhar!

E lá vou eu com o meu ar angélico de uma criança de 11 anos,
tantos dissabores, tantos desenganos,
jamais me esquecerei daqueles tiranos,
que me exloravam sem dó nem piedade,
infelizmente assim passei a minha mocidade.

Mas na hora de almoço mesmo assim,
conseguia divertir as colegas que estavam há minha beira,
fazia versos e cantigas à tecedeira,
tudo isto se passava na dita fábrica da “Abelheira”

Passados 2 anos mudei-me para a “fiandeira”,
e até começei a gostar do que fazia,
embora meu pensamento estivesse sempre na poesia,
pensava nela de noite e de dia, como por magia.

Quando o salário recebia
era para mim uma alegria,
a minha mãe dizia,
"ó filha já dá para a mercearia",
era eu na casa uma mais valia,
que se lixasse a poesia.

E eu resignada lá trabalhava o dia inteiro,
isto já era na fábrica do Sr Engenheiro,
que ficava no vale Salgueiro,
mesmo na curva do gaiteiro.

Com 20 anos me casei
e lá continuei,
não me podia queixar
pois o patrão era fixe a pagar.

Algum tempo se passou,
mas veio um dia e fechou,
e o trabalho acabou,
fecharam-se os portões...

finalmente vieram outros patrões,
empresários em Lisboa vieram para cá de vez,
e a nossa querida fiandeira
passou a ser a “Barros três”

Assim que começou a laborar
lá fui eu para trabalhar,
assim foi a minha vida,
30 e tal anos numa fábrica metida.

Mas voltando à poesia
posso dizer sem tremer
e a minha voz erguer
afirmar com alegria

A poesia é uma luz
que a memória me conduz
E me dá insiração
não se ensina nem se aprende
é uma luz que se acende
Dentro do meu coração

E com esta foto dos meus 13 anos
Daquele tempo como recordação
Despeço-me de todos os amigos
Com estima e dedicação



domingo, 13 de fevereiro de 2011

Dia dos namorados

Outrora os apaixonados portugueses tinham como padroeiro o mais casamenteiro dos santos, ou seja o nosso amigo St António, por sinal muito milagroso! Hoje em dia, o S. Valentim é dono e senhor dos assuntos que ao coração dizem respeito.
Contudo os nossos comerciantes, espertos, não resistiram à "mina de ouro" que este dia 14 de Fevereiro representa, já que a troca de cartões, flores, e presentes entre apaixonados é quase obrigatória. Longe vão os tempos em que era costume os enamorados escreverem poemas, versos, cartas bem cheirosas e decoradas, que eram depois entregues pelo carteiro, era simplesmente lindo, que saudade...
Entretanto entrámos na era dos postais virtuais e das SMS muito mais impessoal, a tecnologia acabou com a poesia da vida. De qualquer forma poderemos dizer que actualmente o dia dos namorados mesmo com estas sofisticações todas continua a ser mágico, visto que se comemora a mais bela emoção do mundo, o Amor!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Carnaval

Que saudades, daqueles Carnavais do meu tempo de cachopa em que remexia quantas arcas havia em minha casa ,e também na casa da minha avó para me mascarar.
A roupa era toda velha e remendada, mas mesmo assim eu não desistia dos meus intentos, e sempre conseguia com um pouco de criatividade empalhaçar-me e fazer rir os outros, pois era esse o meu objectivo. A máscara era feita duma caixa de papelão colava-lhe uns cornitos e uma barbas de milho
era o que se podia arranjar e assim me divertia.Apesar dos poucos recursos eu sempre me destacava
junto das minha primas, quanto mais não fosse pelo chocalho que sempre me acompanhava... para assinalar a presença.Mais tarde descobri o vestido do casamento da minha mãe, e lá ia eu para o baile vestida de noiva com um ramo de flores de carqueja, o respectivo véu, e uns sapatos todos rotinhos, o noivo era um palhaço feito por mim cheio de palha, na quarta feira de cinzas eu e as minhas primas e amigas queimávamos o boneco, que era levado numa padiola, aquilo é que era rir e cantar, tempos que vão e não voltam mas que nunca me esquecem.O pior foi quando a minha mãe certo dia foi à arca e deu com o fato do casamento todo esfarrapado, escusado será dizer que me deu uma bela sova, ainda me desculpei mas ela não acreditou, pois sabia que a única lá em casa com espírito carnavalesco era eu, as minhas irmãs nunca foram dadas a palhaçadas para infelicidade minha.Nos anos seguintes os bailes de Carnaval já eram no Centro Recreativo lá da Gestosa construído por todos os habitantes, e nós jovens contribuímos também com mão de obra, grandes bailes se lá faziam, então no Entrudo era uma loucura, onde se dançava e cantava até de madrugada
com as respectivas mães a guardarem é óbvio, não fossem as filhas fugirem. O salão ficava lindíssimo todo enfeitado com flores de papel colorido, quero também sublinhar que não se podiam dar “cabaços”tinhamos que nos sujeitar a dançar com os rapazes que nos chamavam, essa era a parte mais negativa da festa, caso contrário não se podia dançar com outro que se desencadeava logo uma zaragata, era assim que funcionava.
Mas o espírito carnavalesco continua a dominar-me a alma, a criatividade e diversão sempre foi uma constante na minha vida, quantas vezes me fantasio mesmo sem ser Carnaval, dá-me ânimo e gosto de animar os outros, e agora digo eu é caso para dizer, tristezas não pagam dívidas..
Todos sabemos que hoje o Carnaval apesar de haver muita oferta de máscaras e disfarces não tem o entusiasmo e o empenho de outrora, tudo se vai apagando, tudo se vai extinguindo, é pena..Saudades desse tempo? Sem dúvida que sim!..


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Curso de costura

Frequentei um curso de costura
Onde alguma coisa vim aprender
A ter alguma postura
E os meus conhecimentos enriquecer!

Aprendi entre outras coisas
Com empenho e algum rigor
As novas tecnologias
Em frente ao computador

E durante este curso...
A minha vida mudou.
Às vezes fiz figura de urso
Mas a auto-estima aumentou!

Apesar de ainda ser
Muito fraca a costurar!
Aquilo que aprendi
Já dá para desenrascar!

A costura foi muito complicada

Com formadoras exigentes
Mas sinto-me preparada
Venham lá os clientes!

Eu sou diferente das outras
Aprendi outras saídas
Primeiro faço a roupa
Só depois tiro as medidas!

Mas sinto-me realizada
Bem-haja quem me ensinou
Não sou mestra nem Doutora
Mas gosto de ser quem sou

Quando acabar o estágio
Por conta própria vou trabalhar
Na lojinha ”Carmicita”
É assim que se vai chamar

No poupar é que está o ganho
E não pense 2 vezes
Se for cliente assíduo
Tem um brinde todos os meses

Fica mesmo junto à praia
Depois da ponte passar
Umas calças ou uma saia
Basta só encomendar

Costura e decoração
É aquilo que vou fazer
Aposto na perfeição
para a crise combater


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Dia do carteiro

Estava a ver o telejornal quando de repente uma notícia me despertou mais atenção, o dia mundial do carteiro, confesso que fiquei emocionada, eu que sempre adorei escrever, postais, cartas, fosse aquilo que fosse, mas cartas principalmente, enviei tantas... e a corneta do carteiro trazia um toque de alegria às pessoas da aldeia, e principalmente a mim, quando o via direccionar-se à minha rua sabia que era certo, lá vinha mais uma cartinha daquelas que tinham flores, e cheiro a rosmaninho, que saudade.... Ainda ontem andei a rebuscar nos baús no sótão da minha mae e encontrei lá cartas que me fizeram recuar 40 anos no tempo, que bonito. Adorei relembrar que numa só noite de São João, três rapazes queriam ir pedir a minha mão ao meu pai. Bons tempos, tempos de ingenuidade, que saíamos só pela diversão, e não pela relação com os rapazes!

Será que hoje em dia ainda alguém recebe cartas? Uma carta de um familiar? Uma carta de um amigo? Um cartão de aniversário ou até de boas festas? Na correspondência deixada na caixa do correio encontramos-publicidade, extractos, facturas, documentação fiscal e empresarial.

Agora as cartas que eram escritas com caneta, há muito que desapareceram e deixaram de ser um momento de magia, ou de fazer o coração disparar em sobressalto. Hoje o carteiro perdeu o brilho de outrora e passou a ser mais um prestador de serviços. Se um dia aparece um de bigode, no seguinte é um careca e no dia seguinte pode até ser uma mulher.

O tempo do nosso carteiro foi quase esquecido, a função de mensageiro e amigo foi-lhe substituída pela de comercial de resmas de papel que muito pouco é lido, ou mesmo aberto por e com prazer. Culpa de quem? Das novas tecnologias! Marcas da evolução do tempo! Os telemóveis. As máquinas digitais,os leitores mp3, as radios online, os jornais online, o email fazem parte do nosso dia a dia, mas será que esta abundância de recursos contribui para aumentar a nossa qualidade de vida?

Só o futuro o dirá.




Acabaram-se as cartas de amor
outrora entregues pelo carteiro
Foram trocadas pelo computador
Que domina o mundo inteiro!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Namorados!

Confesso que acho uma piada enorme as longas filas de homens que neste dia alinham desesperadamente nas floristas ou percorrem os corredores calóricos dos hipermercados. Parece que só neste dia se lembram de oferecer algo criativo e original porque isso requer algum tempo de meditação, as flores ou chocolates são sempre a opção mais fácil.

Sinceramente acho ridículo todo este NEGÓCIO à volta do dia dos namorados. Muito mal está uma relação que, só por ser dia dos namorados, as pessoas se lembram de oferecer prendas, fazer um jantar romântico ou dar um passeio juntas.

Esperar 1 ano para fazer algo especial ou simplesmente para dizer amo-te é, no mínimo triste. Uma relação constrói-se e celebra-se dia a dia.

Claro que não é fácil, é óbvio que dá muito trabalho, mas nada na vida se alcança sem trabalho, sem suor, sem tempo, e sem dedicação.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A broa de milho

Nada melhor para iniciar o ano que falar num alimento tão importante como o pão. O pão um nome que todos nós pronunciamos diariamente, e uma das primeiras palavras que aprendemos a dizer.
Reavivando as memórias de criança recordo que a minha mãe cozia a broa todas as semanas, o processo iniciava-se na véspera, com a moagem de 1 saco de milho que eu levava à cabeça ao moinho, onde era transformado em farinha,o moleiro tirava a “maquia” era assim que se chamava , eu trazia o saco para casa.
À mistura de farinha e água quente era acrescentado o fermento, chamado de crescente, que era um pouco de massa guardada da anterior amassadura. Este fermento era indispensável à levedura da massa. Depois de preparada a massa , esta era aconchegada num dos cantos da masseira, depois era feita a tradicional
benção. A minha avó rezava assim: Em nome do pai e do filho e do Espírito Santo, São Vicente te acrescente, S. Mamede te levede, e São João te faça pão. 
Eu tento manter a tradiçaõ e cozo a broa muitas vezes, principalmente quando se reúne a família cá em casa, todos gostam muito da minha broa, faço igualzinha à da minha mae já naõ preciso de ir ao moinho porque o padeiro traz-me a farinha já peneirada o que é muito mais prático, com respeito à bênção, é óbvio que não perco tempo com essas crendices, e a broa mesmo sem rezas nem cruzes fica sempre muito boa e com o sabor de antigamente.
Aqui está a prova da verdade, bom apetite.

Dia dos amigos

Sendo hoje dia 21 de Janeiro o dia dos amigos decidi fazer estes versos para enriquecer um pouco o meu blog.


Abençoados os que possuem amigos
Os que os têm sem os pedir
Porque amigo não se compra nem se vende
Amigo agente tem que sentir!

Benditos os que sofrem pelos amigos
Os que falam simplesmente com o olhar
Os que escutam as nossas mágoas
Aqueles com quem podemos desabafar!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros
Aqueles que não nos deixam cair na solidão
Que por nós lutam, que são guerreiros
Que são a nossa base, quando nos falta o chão!

Benditos os que guardam os amigos no coração
Os que oferecem seu ombro para chorar
Todos aqueles que têm o dom do perdão
Que nas horas difíceis nos vêem consolar!

E que este ano possamos acreditar
Que o poder não derrube a nossa amizade
Que todos os amigos possam festejar
O amor, a Paz e a Fraternidade!

Vamos todos multiplicar amizade com o coração
Espalhá-la pelos blogs sem parar
E nesta regra não existe excepção
Se a dividir-mos ela se vai multiplicar!

Meus queridos leitores que me acarinham
Quero desejar-vos muita saúde e alegria
Que o sol brilhe intensamente na vossa vida
E também para todos os amantes da Poesia!


Feliz dia dos AMIGOS!

domingo, 16 de janeiro de 2011

Chorei na barriga da mãe

Ainda hoje não consegui perceber
Que chorei na barriga da minha mãe
Certamente que não queria nascer
Será que como eu há mais alguém?


A minha mãe sempre contava
Quando a nossa família se reunia
Que teve seis filhos, coitada
E só eu chorei como por magia


E quando nasci, de chorar não parava
Não era por ter nascido
Se calhar já adivinhava
Que o mundo andava perdido!


Por isso os versos que eu escrevo
Saem-me da palma da mão
A tinta sai-me dos olhos
E a pena do coração!

A matança do porco

Na minha infância a criação de porcos estava muito enraizada, sendo determinante para o sustento das famílias que nesse tempo eram muito numerosas, praticamente não havia quem não o fizesse.
Normalmente eram comprados nas feiras mais próximas, ou aos porqueiros que andavam de terra em terra com uma camioneta carregada de suínos. A alimentação destes animais era constituída praticamente com restos de comida (a chamada lavagem) e produtos agrícolas tais como as batatas, couves, abóboras frutas e também bolotas que eram apanhadas debaixo dos sobreiros.
Conseguida a engorda combinava-se a matança (geralmente em Dezembro ou em Janeiro) um dia marcante para miúdos e graúdos).
Tudo se iniciava alguns dias antes quando íamos buscar molhos de carquejas que eram postas a secar para depois chamuscar o animal. Tinha que se convidar o matador mais alguns homens para ajudar a amarrar o porco ao banco onde ia ser sacrificado. Morto o bicho o sangue era aproveitado para a confecção de morcelas, ou deixava-se coalhar para mais tarde guisar. De seguida, o animal era chamuscado com as respectivas carquejas que já se encontravam secas, e todo raspado com uma telha. Só depois é que era levado para uma loja e pendurado no chambaril (uma peça de madeira manualmente curvada) pelas patas traseiras.Só então era aberto, sendo retiradas as tripas para um alguidar, posteriormente estas eram lavadas com água corrente para serem utilizadas na confecção das chouriças. No dia seguinte o porco era desmanchado separando-se as diversas partes da carne. A gordura era transformada em banha numa panela de ferro, os lombos, o entrecosto e os presuntos eram postos na salgadeira, e assim serviam de alimento para a família durante todo o ano. Os presuntos depois de salgados eram untados com colorau e azeite, e eram comidos só em datas especiais.
Na semana seguinte à  matança a minha mãe com a ajuda da minha avó faziam o fumeiro; morcelas, moras, farinheiras e chouriços que eram secos no caniço e depois conservados em azeite, A matança do porco era sempre um acontecimento social e festivo que, para além de ajudar a manter viva a tradição, dava de comer a toda a família até ao ano seguinte.
Era assim no meu tempo de criança  à cerca de 40 anos! E nós,  pobres, éramos felizes. E ricos sem
o sabermos!... 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Afinal quem sou eu?

Sou a tal ”carmicita”, uma pessoa um tanto misteriosa!...
Quando todos julgam que estou vencida, derrotada... eu ressurjo... renasço das cinzas e das dores. Às vezes ferida e machucada, mas cada vez mais forte e com mais vontade de lutar.

Sou guerreira sou valente, 
não me quero deixar abater, 
o meu objectivo é poder, 
a amizade com os meus amigos fortalecer!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Com a entrada do novo ano decidi, começar a fazer coisas novas e diferentes. Uma delas foi criar o meu próprio blog, onde penso contar um pouco da minha vida, o que gosto, o que não gosto, e tentar aperfeiçoar a minha escrita.
Desejo transmitir amor e paz a todas as pessoas que sobre ele se debrucem. Sou simplesmente a Carmicita que vos tentará ajudar a não cair na monotonia destas terras desertificadas.